Na
veia
ainda
pulsa
como antes
adormecido outrora apenas
No
seio
ainda
pesam
disparates
envaidecidos embora menos
No
leito
ainda
futuro espera
aonde
aqui
ali
tanto faz
Você já veio.
Agora eu vou.
Sexta-feira, 3 de Julho de 2009
ENTÃO
então estamos entregues
entoando inebriados enigmas
enaltecedores embriagados
em entrelugares entediantes
então encurtamos espaços
endiabrando enlaces embolorados
encolhe-dores esfuziantes
em encobertas entrelinhas
então encaixamos enxadas
esperando encontrar entrudo
entanto entrecortamos entulho
entusiásticos entrantes em tantos
então enveredamos em entrevero
embaralhados esbregues
enunciando entalhes entocados
entremetidos em engodo
então engrandecemos enxurro
enganando engenharias engorduradas
entardece enquanto entrevemos
entrepostos enlameados esbarram
em tão prontos estamos
para sermos tanto em tudo
entoando inebriados enigmas
enaltecedores embriagados
em entrelugares entediantes
então encurtamos espaços
endiabrando enlaces embolorados
encolhe-dores esfuziantes
em encobertas entrelinhas
então encaixamos enxadas
esperando encontrar entrudo
entanto entrecortamos entulho
entusiásticos entrantes em tantos
então enveredamos em entrevero
embaralhados esbregues
enunciando entalhes entocados
entremetidos em engodo
então engrandecemos enxurro
enganando engenharias engorduradas
entardece enquanto entrevemos
entrepostos enlameados esbarram
em tão prontos estamos
para sermos tanto em tudo
Quinta-feira, 2 de Julho de 2009
Quarta-feira, 3 de Junho de 2009
Quinta-feira, 28 de Maio de 2009
...
quero a leveza
quero o doce na boca
cosquinha na alma e brilho incontido
quero a pureza do primeiro encontro
sorriso nos olhos e novidade exalando no andar
quero peito aberto
apostar no incerto e viver tudo aquilo que ainda
não sei se já vi
quero etecéteras
porque daqui a pouco,
eu sei,
você vai estar aqui
quero o doce na boca
cosquinha na alma e brilho incontido
quero a pureza do primeiro encontro
sorriso nos olhos e novidade exalando no andar
quero peito aberto
apostar no incerto e viver tudo aquilo que ainda
não sei se já vi
quero etecéteras
porque daqui a pouco,
eu sei,
você vai estar aqui
Sábado, 23 de Maio de 2009
FOI-SE
Foi forte e relevante
Foi difuso e inconstante
Foi tudo, tanto, todo a todo instante
No que começou se perdeu
O que atraiu repulsou
Encontro e desencontro em
tempo real dissonante
E agora?
Viver isso em nome de quem?
Buscar mais em razão de quê?
Dores não sinto, nem quero
Cores eu vejo, não minto
Mas coisas, não mais pressinto
Nem é tudo tão azul quanto
era antigamente
O que der e vier
Se vier se preciso for
Talvez não venha
e se contente
no que já deixou de
ser
sem nunca ter realmente
(s) ido.
Foi difuso e inconstante
Foi tudo, tanto, todo a todo instante
No que começou se perdeu
O que atraiu repulsou
Encontro e desencontro em
tempo real dissonante
E agora?
Viver isso em nome de quem?
Buscar mais em razão de quê?
Dores não sinto, nem quero
Cores eu vejo, não minto
Mas coisas, não mais pressinto
Nem é tudo tão azul quanto
era antigamente
O que der e vier
Se vier se preciso for
Talvez não venha
e se contente
no que já deixou de
ser
sem nunca ter realmente
(s) ido.
Domingo, 26 de Abril de 2009
RESSURREIÇÃO
pronto. agora estou em paz.
meus fantasmas não me assombram mais.
o que passou ficou para trás.
meus fantasmas não me assombram mais.
o que passou ficou para trás.
Sexta-feira, 24 de Abril de 2009
PENETRAÇÃO
Adentro nas entranhas da linguagem.
Aqui dentro é território quente e úmido
vermelho fogo furto paixão.
Entrar e sair não dá.
Entrego-me total
em recônditos plurívocos.
Desprendo-me do medo
dominante cintilante,
lá fora fica com discursos
gastos pelo uso.
Combinações de arranjos
e signos inextricáveis
perfilam e engendram minha alma mucosa e desavergonhada.
Nada ensaiado. Pré-concebido, nada.
Descobertas me vêm em chofre e em choque
culminam no cheque-mate:
efervescências de relâmpagos verbais
engravidam o papel em branco
num gozo supremo do inútil.
Forma única de eternização da vida/arte.
Aqui dentro é território quente e úmido
vermelho fogo furto paixão.
Entrar e sair não dá.
Entrego-me total
em recônditos plurívocos.
Desprendo-me do medo
dominante cintilante,
lá fora fica com discursos
gastos pelo uso.
Combinações de arranjos
e signos inextricáveis
perfilam e engendram minha alma mucosa e desavergonhada.
Nada ensaiado. Pré-concebido, nada.
Descobertas me vêm em chofre e em choque
culminam no cheque-mate:
efervescências de relâmpagos verbais
engravidam o papel em branco
num gozo supremo do inútil.
Forma única de eternização da vida/arte.
Terça-feira, 14 de Abril de 2009
ODE
Liberdade enche o peito de luzes e delírio
como um rosto corado de vontade
Felicidade pinta o céu de azul e laranja
como um gosto apertado de saudade
Amizade cobre os braços de aconchego e surpresa
como um gesto inesperado em fim de tarde
como um rosto corado de vontade
Felicidade pinta o céu de azul e laranja
como um gosto apertado de saudade
Amizade cobre os braços de aconchego e surpresa
como um gesto inesperado em fim de tarde
Sexta-feira, 3 de Abril de 2009
Não sei se consigo andar só.
Somente sinto que não sou suficiente
e inconscientemente,
te chamo.
E te espero,
mesmo que chegues no frio.
Somente sinto que não sou suficiente
e inconscientemente,
te chamo.
E te espero,
mesmo que chegues no frio.
Domingo, 15 de Março de 2009
Lançamento Cadernos de Dramaturgia

Na quarta feira, dia 18, serão lançados os Cadernos de Dramaturgia do Galpão Cine Horto, com os textos de todos os oficiniões e ensaios sobre o processo criativo dos mesmos. Eu assino um dos ensaios, do espetáculo "Por toda a minha vida", do qual fui uma das dramaturgas. Para fazer o ensaio tive que voltar ao universo melodramático e reviver um pouco o processo de criação do espetáculo, que foi colaborativo. E me lembrei daqueles anos de convivência no núcleo de dramaturgia do Grupo Galpão. Dias de discussões, estudos e criações riquíssimas. Me deu saudades daquela época e alegria por saber que vou encontrar todo mundo (senão todos pelo menos uma grande parte) no dia 18.
E vocês, meus queridos, também são meus convidados. :)
Terça-feira, 10 de Março de 2009
SENTIMENTAL
Que tal ser tanto
e se sentir inteiro
Que tal ser muito
e se sentir total
Tal qual na sede
se entregar inteiro
à chuva fria
e nada acidental
Tão grande quanto
as flores de um cheiro
Tão fino quanto
o fio de um punhal
Quão raro o caro
gosto de um seio
Qual alimento
ou sustento carnal
Tal qual em vários
se partir ao meio
Sentir na pele
todo o bem e mal
Quão certo o canto
vindo de outros cantos
Pinçar na música
o sabor do sinal
Tal qual na testa
dizer a que veio
Soltar da alma
odores de sal
Qual claro a luz
de olhar estrangeiro
Enxergar cenários
por trás d’umbral
Quão forte o ato
de pedir arreio
Abrir-se aos mundos
Se doar total
Que tal ser meu
e se sentir completo?
Que tal em mim
sentir o tão e o tao?
Sentir não mente
o que vem da mente.
Se você arrepia comigo, que tal?
e se sentir inteiro
Que tal ser muito
e se sentir total
Tal qual na sede
se entregar inteiro
à chuva fria
e nada acidental
Tão grande quanto
as flores de um cheiro
Tão fino quanto
o fio de um punhal
Quão raro o caro
gosto de um seio
Qual alimento
ou sustento carnal
Tal qual em vários
se partir ao meio
Sentir na pele
todo o bem e mal
Quão certo o canto
vindo de outros cantos
Pinçar na música
o sabor do sinal
Tal qual na testa
dizer a que veio
Soltar da alma
odores de sal
Qual claro a luz
de olhar estrangeiro
Enxergar cenários
por trás d’umbral
Quão forte o ato
de pedir arreio
Abrir-se aos mundos
Se doar total
Que tal ser meu
e se sentir completo?
Que tal em mim
sentir o tão e o tao?
Sentir não mente
o que vem da mente.
Se você arrepia comigo, que tal?
Quarta-feira, 11 de Fevereiro de 2009
EXPLICAÇÃO
como explicar
os olhos brilhantes e as tardes
ensolaradas
como explicar
o peito arfante e a falta
de ar
como explicar
o caminhar relutante e o coração
disparado
?
o nascer do sol, o surgimento das crianças,
o nascimento das estrelas, o câncer, a espuma, o sabor
inesperado,
a agilidade dos invertebrados, as vísceras abertas,
o tiro
perdido,
o início de tudo, o saber do mudo,
a involução da espécie, a revolução dos costumes,
o renascimento diário, a transformação das borboletas, o tilintar do vento,
o zelo acumulado,
os acidentes evitáveis, as negligências inelutáveis, a natureza enraivecida,
o afeto aparente, a vontade acorrentada
você dentro de mim
como explicar?
os olhos brilhantes e as tardes
ensolaradas
como explicar
o peito arfante e a falta
de ar
como explicar
o caminhar relutante e o coração
disparado
?
o nascer do sol, o surgimento das crianças,
o nascimento das estrelas, o câncer, a espuma, o sabor
inesperado,
a agilidade dos invertebrados, as vísceras abertas,
o tiro
perdido,
o início de tudo, o saber do mudo,
a involução da espécie, a revolução dos costumes,
o renascimento diário, a transformação das borboletas, o tilintar do vento,
o zelo acumulado,
os acidentes evitáveis, as negligências inelutáveis, a natureza enraivecida,
o afeto aparente, a vontade acorrentada
você dentro de mim
como explicar?
Quinta-feira, 5 de Fevereiro de 2009
MALDIÇÃO
Terça-feira, 3 de Fevereiro de 2009
Quarta-feira, 28 de Janeiro de 2009
FLORAL
Nesse dia eu também usei branco
mas as flores não estavam na mão.
Vieram estampadas na roupa e na alma.
O sim que nós dois concordamos
sussurrou no ouvido de ambos
desejos opostos.
Nosso destino já não dorme mais sob o mesmo céu.
Mas a estrela que brilha pra mim
não é a mesma que ilumina sua rua.
Talvez por isso eu nunca tenha sido realmente sua.
mas as flores não estavam na mão.
Vieram estampadas na roupa e na alma.
O sim que nós dois concordamos
sussurrou no ouvido de ambos
desejos opostos.
Nosso destino já não dorme mais sob o mesmo céu.
Mas a estrela que brilha pra mim
não é a mesma que ilumina sua rua.
Talvez por isso eu nunca tenha sido realmente sua.
Domingo, 25 de Janeiro de 2009
Segunda-feira, 19 de Janeiro de 2009
QUINTAL

O orvalho na grama
evapora desejos
caídos
Pássaros pescam
em árvores
frutas de cores
Cadeiras balançam
no espaço
sorrisos verdades
Prendedores no varal
beliscam
o movimento do ar
Aquarelas colorem
pensamentos
em tessituras de nuvens
Riscos no chão
pulam
tempos escassos
Brinquedos amontoam
em caixas
curiosidades abertas
Pés cheiram
arroubos de vento
na terra
O cão lambe
carinhos
na mão do menino
Na rede descansa a tensão de sua mãe
Segunda-feira, 12 de Janeiro de 2009
Sexta-feira, 9 de Janeiro de 2009
Segunda-feira, 5 de Janeiro de 2009
CONFIRMAÇÃO/CONFORMAÇÃO
As capas de revistas, novelas de TV, rádio, internet, jornal, et cetera e tal mandam usar vestido curto vermelho ou
calça capri cintura baixa quase aparecendo o cofrinho
barriga tanquinho piercing no
umbigo carro cinza quatro portas vidro fumê ar direção hidráulica.
Elas dizem sim, sim. Sim!
Eles dizem sim, sim. Sim!
As capas de revistas, novelas de TV, rádio, internet, jornal, et cetera e tal mandam usar vestido longo solto verde limão ou
calça pantalona cintura alta quase no peito
barriga negativa piercing no
nariz carro vermelho esporte teto solar direção hidráulica.
Elas dizem sim, sim. Sim!
Eles dizem sim, sim. Sim!
E assim vai se formando
massa uniforme conforme
manda a anunciação.
A rua pode até estar esburacada a escola pode até estar cara o pãozinho pode até subir de preço os políticos podem até inventar novas taxas outro imposto o safado em quem você nem se lembra que votou pode até roubar enganar. Se no fim do mês sobra um pouquinho pro vestido curto vermelho vestido longo solto verde limão calça capri cintura baixa quase aparecendo o cofrinho calça pantalona cintura alta quase no peito barriga tanquinho negativa piercing no umbigo no nariz vermelho ou cinza o carro continua no anúncio.
Elas dizem sim, sim. Sim!
Eles dizem sim, sim. Sim!
E assim vai se formando
massa uniforme de conformados.
Bando de robôs já sai de fábrica com duas funções.
calça capri cintura baixa quase aparecendo o cofrinho
barriga tanquinho piercing no
umbigo carro cinza quatro portas vidro fumê ar direção hidráulica.
Elas dizem sim, sim. Sim!
Eles dizem sim, sim. Sim!
As capas de revistas, novelas de TV, rádio, internet, jornal, et cetera e tal mandam usar vestido longo solto verde limão ou
calça pantalona cintura alta quase no peito
barriga negativa piercing no
nariz carro vermelho esporte teto solar direção hidráulica.
Elas dizem sim, sim. Sim!
Eles dizem sim, sim. Sim!
E assim vai se formando
massa uniforme conforme
manda a anunciação.
A rua pode até estar esburacada a escola pode até estar cara o pãozinho pode até subir de preço os políticos podem até inventar novas taxas outro imposto o safado em quem você nem se lembra que votou pode até roubar enganar. Se no fim do mês sobra um pouquinho pro vestido curto vermelho vestido longo solto verde limão calça capri cintura baixa quase aparecendo o cofrinho calça pantalona cintura alta quase no peito barriga tanquinho negativa piercing no umbigo no nariz vermelho ou cinza o carro continua no anúncio.
Elas dizem sim, sim. Sim!
Eles dizem sim, sim. Sim!
E assim vai se formando
massa uniforme de conformados.
Bando de robôs já sai de fábrica com duas funções.
Terça-feira, 30 de Dezembro de 2008
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